Minhas Memórias

Eu.
Sou feita de todas as lembranças de todos os instantes desta vida.
Sou refeita em todas as tomadas de decisões e ações investidas.
Sou construída pelos sonhos de outrora.
Existo pela insistência em declarar-me viva.
No pensar invado a razão.
No sentir mergulho e banho-me em sentimento.
Nas dúvidas extasio-me nas redescobertas.
Nas certezas confronto-me com a complexidade.
Nas emoções reacendo-me em amores e alegrias.
Infinitamente disposta a existir.
Participar ativamente da memória
deste mundo em que escolhi escrever
e ser a minha história.
Aqui é o meu tempo agora...
- Maria Izabel Nuñez Viégas -

Amigos Caminhantes...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Cantigas de roda... mensagens d' alma!

Quem não brincou quando criança cantando alegremente em lindas cirandas.

Feche os olhos e lembre-se...

"Ciranda, Cirandinha , vamos todos cirandar"...
"O cravo brigou com a rosa"...
"Onde está a margarida olê olê olá"...

E esta , eu amo até hoje, muito ninei meus filhos, puro encantamento e devoção:

"Se esta rua , se esta rua fosse minha; eu mandava, eu mandava ladrilhar...com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes, para o meu, para o meu amor passar"...
quem não gostaria de enfeitar com pedras preciosas lapidadas com nosso Amor... o caminho onde passará os nossos amados?


Quanto a imaginação fluia; não havia nada mais que incomodasse e fizesse sofrer uma criança ao bailar na roda e a cantar , evocando a fantasia, trazendo o sonho, que é na realidade o "estado perene da alma de uma criança".

Por que lhes falo em cantigas de roda?
Primeiro para que façam uma Viagem Mágica no Tempo...
Fechem os olhos... lembrem-se daquela linda criança que foi ...
todos nós fomos lindas crianças...
nós tínhamos olhos mágicos e asas de anjos, que nos levavam onde queríamos ir.

Veja bem, pequenina criança linda: lembre dos seus sonhos, daquele mundo multicor que só nossos sonhos infantes conseguiam enxergar...
e traga-a ... bem devagar, aos poucos...
mas muito cuidado, esta sua criança é um cristal valioso, que ainda mora lá dentro de seu coração.
E que ela se abra num sorriso , neste teu rosto de agora e que lhe faça ser feliz!
Nunca devemos deixar que nossa criança interior fique esquecida...
ela nos traz viço, energia, doce olhar e suave encanto.
Guarde-a... mas sempre ao seu lado, em volta de si...a brincar ,
fazendo-lhe esquecer os problemas; deixe-os para amanhã, quando eles acontecerem.
Hoje seja feliz!
Sorria, és belo e bela como a sua criança!
O amanhã talvez encontre-o mais aberto à vida!
Encontrando as melhores decisões a tomar!

Ah! e lembrei-me desta cantiga de roda: A Canoa Virou.
Ouça a música dentro de si (estás ainda de mãos dadas com sua criança), ela saberá cantá-la:

"A canoa virou"

"A canoa virou
Por deixar ela virar.
Foi por causa da Maria
Que não soube remar."

e assim iam cirandando e, pouco a pouco, todos eram chamados e tinham que virar na roda, andando de costas, até que num momento, o canto mudava:

"Ai! se eu fosse um peixinho
Soubesse nadar
Tirava a Maria
Do Fundo do mar."

E assim...
todos, a cada chamado, voltavam a alegremente cirandar , mãos dadas, de frente, a cantar! Livres!


Luiz Antonio Milleco, musicoterapeuta e psicólogo, cego de nascença , autor de vários livros e canções lindas nos mostra nesta e em outras análises - "as canções da alma" no seu livro :"O Lado Oculto do Folclore" - as mensagens subliminares dos mitos e cantigas do nosso folclore.
Saudades das belas palestras que assisti deste homem iluminado.

A Canoa Virou me encanta pela profundidade da lição:
a canção da alma aqui encarnada e sua jornada pela vida.

Segundo Milleco, a canoa seria a própria vida de cada um.
"Cada pessoa conduz a sua própria embarcação estando sujeito ao destino e ao livre arbítrio."

O virar da "canoa da vida" de cada um refere-se assim às consequências da inabilidade ou dos temores próprios, o que é apontado pela própria consciência individual.

"O fundo do mar, simbolizaria as regiões profundas da nossa alma, onde muitas vezes nos vemos mergulhados."

É aquele fundo do poço em que nos sentimos, sem nada entender, sem nada enxergar, pois estamos imersos nas águas escuras, perdidos, sem encontrar soluções para nossos problemas. E quantas vezes assim nos sentimos.

"O final da cantiga refere-se ao sentimento de solidariedade e ao desejo de ir ao encontro de quem sofre."

É a imagem crística do Peixe, sentimento de amor e compaixão,
que vai até onde nossa alma padece e nos alivia do peso, nos abraça, nos enlaça...
é o perdão que na verdade nós mesmos nos damos, ao darmos um novo rumo às nossas vidas, tocados pelo amor...
é a imagem divina de ninguém merece sofrer eternamente!

E de que sempre existe "alguém" a nos estender a mão e nos trazendo de volta...
no instante em que nossa alma, cansada de sofrer, abre a consciência para o entendimento, para o chamado do caminho certo a seguir!
Temos mãos amigas neste plano, através de nossos amigos; ou das mãos invísiveis dos Mestres Ascensionados, dos anjos de luz que só esperam que nós ouçamos as suas vozes e que acordemos para novamente...
ir cantando felizes na Roda da Vida!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Uma crente que desconfia de tudo...São Tomé, eu?!


Interessantes lições a vida nos coloca à frente...
E ontem foi um dia de teste.

Sempre olho com desconfiança e olhar atravessado esses jogos de tarot virtuais, não que duvide da competência de quem os faz, pois se analisarmos as cartas que "caem" e suas interpretações, mesmo não sendo uma expert em tarot, vejo se tem ou não coerência.
Sou assim, para mim o Místico e o Sagrado são poderosoa; entra-se no Todo com silêncio e reverência.
Acredito no jogo de tarot feito com a nossa energia em volta, as entradas no "inconsciente coletivo" com calma, numa atitude respeitosa e genuflexa, como se exige num Oráculo.
Afinal quem mexe com estas energias deve manter seu vaso de cristal límpido pois é um ritual mágico, e se estivermos maculados... o que virá será decodificado como que com borrões, com manchas e como interpretá-los?
Tudo é sério... a magia é uma ato de amor!

A minha questão é que neste assunto de jogos virtuais, eu analiso com meu lado esquerdo do cérebro e , com ele, minha razão diz: - desconfia! eu...dar ouvidos a um computador? Nem pensar!!!

Bem... ontem estava muito preocupada com duas questões relativas a dois frutos amados. Entrei num site que acho confiável e lá postei, muito concentrada minhas perguntas.

E surpresa minha: não é que para cada um deles, a resposta foi à principio a análise perfeita da pergunta e da situação em questão que tanto preocupava meu coração materno,


Ah... coração de uma mãe que... acredita no poder do pensamento positivo, que acredita nas "mãos invísiveis" que nos amparam, mas que teima em bater mais forte?
Faz um "tum-tum-tum" que uma amiga amada me fala... acho lindo essa batida.

Sinceramente... nem fui além para saber se ia ou não dar certo.
Depois é que vi que havia uma continuação.

As cartas eram bem descritivas e até dois pormenores, desculpem-me o "desvario", que esse computador não sabia!!!

"Tirei o meu chapéu", " Dei a mão à palmatória", como dizem os ditados... perdi feio.

Enfim... o conselho final nem vi ... nem quis saber e nem quero , foi talvez um "ato falho" - não ter lido até o fim.
O que li bastou-me.

Eu sei que o final destas histórias sairão bem , pois acredito que só passamos o que devemos passar e que se estivermos firmes, e com a alma serena...
o que vier virá de qualquer jeito.

Só que nos encontrará bem ou mal, dependendo do quanto sou firme na minha fé...no Universo, em Deus , nos Mestres que nos acompanham nas horas mais difíceis e ...
fé em mim, na minha capacidade de olhar de frente os obstáculos,
saber enfrentá-los ou contorná-los se não for o momento certo da minha ação...
ou VENCER!
E se der errado... partir para outra empreitada, nunca desistindo da luta.
Sempre há novos caminhos e novas portas se abrem...
é só ter olhos para ver, coração para sentir e coragem para recomeçar!
Nada vence uma pessoa que escolhe o Amor como companheiro!

Tarot virtual...você me venceu! A taróloga que a fez não estava a brincar.
Ah... depois eu conto se o final que meus meninos escreverão foi o melhor e se os fizeram feliz,
pois o que o tarot previu...
eu não sei!
Estou a acreditar numa energia que une pensamentos nesta blogosfera, neste mundo virtual... são ondas... vibração...energia e luz .
Mistérios...
É... São Tomé... ver para crer?
É... ver para crer!

sábado, 4 de julho de 2009

Ser feliz ou ter razão?


Ser feliz ou ter razão

"Oito da noite numa avenida movimentada.
O casal já está atrasado para jantar na casa de alguns amigos.
O endereço é novo, assim como o caminho, que ela conferiu no mapa antes de sair.
Ele dirige o carro.
Ela orienta e pede que vire na próxima rua à esquerda.
Ele tem certeza que é à direita.
Discutem. Percebendo que além de atrasados, poderão ficar mal - humorados, ela deixa que ele decida.
Ele vira à direita e percenbe que estava errado.
Ainda com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado enquanto faz o retorno.
Ela sorri e diz que não há problemas em chegar alguns minutos mais tarde.
Mas ele ainda quer saber:
- Se você tinha tanta certeza de que eu estava tomando o caminho errado, deveria insistir um pouco mais!
E ela diz:
- Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz!
Estávamos a beira de uma briga, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite."

Conta-se que esta pequena história foi relatada durante uma palestra sobre a simplicidade no mundo do trabalho. A cena foi usada para ilustrar quanta energia gastamos apenas para demonstrar que temos razão, "independente de tê-la ou não"!
Desde que ouvi esta história, tenho me perguntado com mais frequência:
Quero ser feliz ou ter razão?


A imagem que usei é do filme "O Senhor dos Anéis, dos belos personagens Aragon e Arwen, ela foi além da razão, entregou o seu poder de imortalidade para viver um grande amor ao lado de seu herói.
Um amor tão lindo, que certamente não se passou no trânsito de uma cidade... mas as lendas estão sempre mescladas no nosso cotidiano.

Merece o objeto de nosso amor, a nossa doação?
Um grande amor vale a pena, sim!
E a nossa paz é uma conquista diária e vale ouro!

E tantas vezes o nosso silêncio leva o nosso parceiro(a) a refletir mais... o aprendizado das lições.
Nós nos mostramos, em certas querelas, mais pelos atos do que pelas palavras...
sendo exemplos de paz e concórdia.

E, na realidade, nunca numa discussão só um sai ferido.


E já não nos basta errarmos o caminho,

as voltas que temos que dar na vida , os retornos que fazemos
sem que haja nem sequer sido nossa a decisão... somos levados pelos desmandos dos outros.

Muitas vezes quando estou em um engarrafamento no trânsito...
agradeço a Deus em oração!
Tantos são os assaltos, os agora chamados "arrastões".
E num piscar de olhos vemos que nada aconteceu ...
logo após o caminho estava livre e voltamos em paz, ilesos e felizes.

Nestes momentos nos damos conta de que um simples minuto de paciência...
vale muitas vezes a nossa VIDA!!!!


Fica sempre a questão:
É preciso mesmo sempre brigar quando se tem razão?
Pense nisso e seja feliz!!!
"Somos donos de nossos atos, mas não somos donos de nossos sentimentos.
Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos.
Podemos prometer atos, não podemos prometer sentimentos.
Atos são pássaros engaiolados
Sentimentos são pássaros em vôo."

( Mario Quintana)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Mestre da Paciência


O MESTRE DA PACIÊNCIA

"Conta a lenda que um velho sábio, tido como mestre da paciência, era capaz de derrotar qualquer adversário.
Certa tarde, um homem conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu com a intenção de desafiar o mestre . O velho aceitou o desafio e o homem começou a insultá-lo. Chegou a jogar algumas pedras e cuspiu em sua direção e gritou todos os tipos de insultos.
Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.
No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o homem se deu por vencido e retirou-se.


Impressionadas. as pessoas perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade.

O mestre perguntou:


- Se alguém chega até você com um presente e você não o aceitar, a quem pertence o presente?
- A quem tentou entregá-lo. - respondeu um dos discípulos.
- O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos.
Quando não os aceito, continuam pertencendo a quem os carregava consigo.


A sua paz depende exclusivamente de você.
As pessoas não podem lhe tirar a calma... a não ser que você permita."
(autor desconhecido)


Lembrei-me deste conto ao pensar na pergunta de um amigo querido. E aqui decidi postá-lo.
Como conviver com a incompreensão dos outros.


Na lenda há uma provocação simbólica... é uma metáfora.
Entretanto faz parte da nossas realidade:
no cotidiano, no nosso trabalho , quantas vezes estamos procurando
seguir os passos do mestre da paciência,
sabemos com o uso da razão o como agir,
mas somos atropelados pela dúvida - como resistir?
Como ser este "mestre" quando não nos querem ouvir
nem seguir nossos exemplos.


Já não vivemos em tempos antigos onde o lutar, revidar os golpes e ofensas era o real e honroso ofício do Guerreiro.

Hoje, já nos encontramos num estágio de evolução
onde nosso sentimento e nossas experiências
nos mostram o quanto nos envenenamos ao devolver as flechas recebidas.

Somos seres, já " despertos" , inseridos num esquema social ou profissional,
numa competição que talvez seja mais "difícil" de contornar;
já faz parte de um ideário que " ganha o esperto", "manda quem tem poder"
e "quem tem juizo..obedeça!".


E como é complicado saber-se um homem honrado e ser comandado por seres que não o são.


Ao olhar esta imagem lá no alto, senti uma "sensação triste" de que somos ,
todos nós, na grande Ampulheta da Vida "homens- grãos de areia",
numa testagem diária, minuto a minuto a atravessar portais.


E sempre correndo atrás do tempo que virá ... muito lamentando o tempo perdido.


O que fazer, quando o que vemos ao nosso entorno são injustiças sociais, dores, desamparo?
O que me liberta desta queda vertiginosa que nos impele o emocional?
Podemos mudar o mundo?
Podemos re-definir as regras do jogo?
Não, sinto eu...não podemos.

Como reencarnacionista que sou, algo me faz sentir que muitas vidas
passamos invertendo os papéis, ora sendo pobres, ora sendo ricos,
ora tendo o destino de muitos nas mãos. ora sendo vítimas dos atos dos demais seres.


Mas... até certo ponto essa"química" que em nós existe exigindo justiça é o despertar do guerreiro!
Somos Um que é o somatório de muitas vidas.


E é a nossa capacidade de ainda ficar "perplexos" que talvez nos desperte a força do guerreiro do Bem que existe em nós.
Abençoados os que não se acostumam.

Não...eu não quero mais ficar a mercê dos erros e defeitos dos outros.


A mim basta-me a luta que travo, como o guerreiro Arjuna do Baghavad Gîtâ:
ainda olhar com tristeza que os verdadeiros e maiores inimigos meus são meus próprios defeitos...

são como irmãos, estão comigo, dentro de meu peito há tanto tempo...
me é quase impossível lançar uma flecha...
contra minha vaidade, meu orgulho, minha raiva.


Pensamos que sem eles nada seremos, ou melhor, seremos fracos...

esquecendo as tantas vezes que conseguimos extirpar de nós, mágoas e vaidades - males e dores que nos sufocavam.

Hoje, somos melhores, mais gentis, quiçá mais sábios.

Sabemos a diferença entre o Bem e o Mal.
Já conseguimos optar por um dos lados:
"sentimos ", "intuimos", nosso olhar já é mais sereno ,
já encontramos a Paz e Felicidade nos pequenos e belos atos que fazemos sem que ninguém nos veja.

Não somos mais "túmulos caiados" a que o mestre Jesus se referiu,
já damos água a quem tem sede, já alimentamos a quem tem fome.


E nossa alma já sabe enxergar os caminhos a seguir.

Já encontramos a fonte suprema do entendimento maior, da sapiência que é o ... AMOR.

Este Mestre da Paciência mora em nós...
sintam:
vocês o verão saindo do seu coração- guerreiro,
sob a forma de raios de luz :

na palavra amiga, no texto edificante,no conselho sábio, num gesto de carinho,
no dar e receber, no riso pleno de alegria, nas lágrimas de amor ou tristeza,
na dor que sublimamos em prol de viver e honrar aos nossos amados, aos nossos ancestrais, aos nossos filhos...


E, principalmente...
quando honramos ao herói desconhecido mais nobre que reside em nós!

Aquele que sabe que só é nosso - aquilo que decidimos aceitar como tal.
O que é do outro ...que fique com ele!
Até o dia que ele acorde.

E quem sabe...talvez, já estejamos num estágio evolutivo maior, ascensional...
de dar a mão ao injusto, quando ele estiver se afogando...
no mar bravio que ele próprio para si mesmo criou.


Eu acredito...
E tenho fé ...
Conseguiremos...
fomos feitos para crescer...
e cresceremos!!!