
Amo as montanhas...
isso me acompanha, creio eu nesta vida, desde que me conheço por gente.
Desde pequena- menina até hoje , sempre morei em locais onde à minha frente lá estavam elas. Lindas e majestosas.
Uma vez perguntei às minhas amiguinhas de infância se elas já tinham visto aquela montanha azul.
Todas me responderam:
- Que montanha, falas daquele morro ali!
Morro, como assim!? - pensei eu-menina , elas vêem morros e eu montanhas!
Ah! é que faltam às aulas , não vão à escola - pensava eu.
Deve ser por isso, minha mente - criança encontrou a sua resposta para tal ofensa à minha montanha . Pura heresia- diria se fosse agora. Bem...esqueci.
Crescemos, nos separamos... não éramos iguais em nada, só nos desejos de folguedos e canções de roda.
Agora, vejo que aquela eu-menina tinha outra memória.
Um dia , bem mais tarde quando as vi, reforçou esta minha análise: elas cresceram em tamanho mas não aprenderam a olhar para o Alto, tão presas estavam às coisas da terra.
E eu, tão louca a procurar os caminhos da montanha.... eram elas presas, talvez quem sabe, pela lei da gravidade?
Ora, afinal, que importava... eu não sabia a resposta, só a pergunta.
Entretanto, num misto de pena e de alegria...
agradeci a Deus de não ser como elas; egoísmo juvenil meu...
Será que existe em nós uma força maior que nos permite levitar, ser mais leve e como o ar , conseguir se tornar brisa, vento, até mesmo furacões, ciclones?
Sinto agora que essa energia veio marcada em nossa alma à procura dos nossos semelhantes - os seres- alados - que conseguiram trazer escondido n'alma a chave de romper espaços; religarem-se às outras dimensões, enganar a lei da gravidade.
Subir...
Elevar seus corpos mesmo estando aqui , fisicamente, andando nestes vales mas ... olhos fixos nas montanhas.
Hoje para cada lado que me volto nesta cidade encontro-me com elas: dependendo da distância- compreensão de mim e da vida- entre nós ...
vão mudando de cor e tons: do verde intenso ao mais claro tom de azul.
E é assim que me vejo nesta roda de nossas encarnações.
E mais ... como entendo qual o grau de evolução que numa só vida - a de agora - adquirimos.
A cada encarnação descortinamos novos horizontes.
E a cada mudança vibracional que se processa em nós , ampliamos nossa visão.
Nossa vida atual está no vale. cercados pelo nosso cotidiano, nossas casas- nossa matéria, corpo físico.
Quando estamos no meio das lutas, dos impasses, vivendo no meio dos vales, a nossa mente consciente, aqui encarnada neste corpo - matéria que conhecemos, não consegue captar o nosso Deus Interior, nem comomo dizem alguns, a sua cruz.
Revoltamo-nos justamente porque esquecemopreender os desígnios do nosso Pai.
É um vale de lágrimas, onde relutamos em cumprir aquilo que viemos realizar.
Cada um de nós tem a sua estrada e, cs tudo que traçamos junto aos Mestres.
Nós mesmos traçamos nossa jornada.
E só nos foi permitido carregar o peso justo que precisávamos para nosso despertar.
Muitos falam , indo contra ao trabalho feito na Terapia de Vidas Passadas pois foi dito que esquecer é a lei.
Desconhecem que a TVP é um trabalho terapêutico onde buscamos relembrar "algumas vidas"...
só recordamos as vidas que tem relação com as dores e doenças psicossomáticas que nos fazem sofrer na carne.
Por tanto sofrer as mesmas experiências traumáticas e não conseguirmos dar novo rumo.
Ou por estarmos enfraquecidos pela inexperiência ou a dor é mais forte que supunhamos suportar ... marcamos nódoas, abrimos "nós" que permaneciam fechados em nosso corpo perispiritual .
Começamos aí a nos lesar de dentro para fora... e já passam a surtir os efeitos no corpo físico.
Os que alegam que o esquecimento é necessário, concordo: assim o é.
Claro se faz mister ao nascermos e iniciarmos a nossa vida!
Como nascer lembrando de tudo que já fomos, como lidar com nossos desafetos do passado, como receber no ventre quem nos fez mal em outra vida?
Nem nasceríamos. Seria como nunca dormir...viver sempre acordados, sem o sono reparador.
Tal é a Lei do Amor, dá-nos o esquecer para melhor usar o nosso poder de fazer nossas próprias escolhas - o livre arbítrio.
Afinal, quem sairá vencedor é o guerreiro, herói de sua própria vida!
Carregamos em nós os personagens que vivemos desde os inícios dos tempos e guardamos em nós todas as lembranças.
Somatórios de muitas vidas... divino!
Temos em nós a sabedoria dos Viajores no Tempo.
Nossa Consciência Superior tudo sabe. Ela é atemporal:
passado - presente - futuro - tudo nossa Alma o sabe.
E a tudo compreende.
Ela é o Topo da Montanha Sagrada do nosso Ser.
Como chegar ao alto das montanhas... muitos chegam em sonhos, intuições, em iniciações espirituais, mas, principalmente quando conseguimos nos Amar .
Quem se ama , não se deprecia, não se fere tanto, não comete tantos erros contra si mesmo.
Alguns nasceram, como disse, com a chave dos portais, são benesses de Sabedoria e Luz.
Conseguem, mesmo aqui no vale, chegar ao topo mais alto e olhar para baixo,
antevendo as curvas do caminho e , passando por elas ...com a alma fortalecida.
Já observaram lá do alto a visão que aqui não temos temos imersos no vale ...
E como aqueles caminhos difíceis, em que escalamos pedras, machucando nossos pés descalços... num repente, parecem tão pequenos; são riscos - traços - linhas na paisagem do vale.
E lá estamos nós ... visão mais ampla e
Compreensão e respeito pela Obra Divina.
E nós somos uma das mais belas obras divinas.
Que aprendamos a entender os altos e baixos da vida:
São os vales e o alto das montanhas.
Que nos respeitemos mais, nos amemos.
Quem ama a si , pode melhor distribuir o Amor mais belo e puro por toda a humanidade.
E quem se autoconhece ultrapassa com mais facilidade os desafios.
Ele torna-se o Senhor de seu Destino!
Sua visão se amplifica...
e a cada final de uma História, mais despertos estaremos.
Como é belo lá do Alto, juntar-se aos Mestres e enxergar com a visão clara e límpida que a sabedoria nos outorga as pequenas e grandes vitórias, os embates vencidos por nós!
Viver a excelsa beleza das Dimensões mais elevadas.
E indo sempre ao encontro à mais azulada, clara e alta Montanha!



