Minhas Memórias

Eu.
Sou feita de todas as lembranças de todos os instantes desta vida.
Sou refeita em todas as tomadas de decisões e ações investidas.
Sou construída pelos sonhos de outrora.
Existo pela insistência em declarar-me viva.
No pensar invado a razão.
No sentir mergulho e banho-me em sentimento.
Nas dúvidas extasio-me nas redescobertas.
Nas certezas confronto-me com a complexidade.
Nas emoções reacendo-me em amores e alegrias.
Infinitamente disposta a existir.
Participar ativamente da memória
deste mundo em que escolhi escrever
e ser a minha história.
Aqui é o meu tempo agora...
- Maria Izabel Nuñez Viégas -

Amigos Caminhantes...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Uma crente que desconfia de tudo...São Tomé, eu?!


Interessantes lições a vida nos coloca à frente...
E ontem foi um dia de teste.

Sempre olho com desconfiança e olhar atravessado esses jogos de tarot virtuais, não que duvide da competência de quem os faz, pois se analisarmos as cartas que "caem" e suas interpretações, mesmo não sendo uma expert em tarot, vejo se tem ou não coerência.
Sou assim, para mim o Místico e o Sagrado são poderosoa; entra-se no Todo com silêncio e reverência.
Acredito no jogo de tarot feito com a nossa energia em volta, as entradas no "inconsciente coletivo" com calma, numa atitude respeitosa e genuflexa, como se exige num Oráculo.
Afinal quem mexe com estas energias deve manter seu vaso de cristal límpido pois é um ritual mágico, e se estivermos maculados... o que virá será decodificado como que com borrões, com manchas e como interpretá-los?
Tudo é sério... a magia é uma ato de amor!

A minha questão é que neste assunto de jogos virtuais, eu analiso com meu lado esquerdo do cérebro e , com ele, minha razão diz: - desconfia! eu...dar ouvidos a um computador? Nem pensar!!!

Bem... ontem estava muito preocupada com duas questões relativas a dois frutos amados. Entrei num site que acho confiável e lá postei, muito concentrada minhas perguntas.

E surpresa minha: não é que para cada um deles, a resposta foi à principio a análise perfeita da pergunta e da situação em questão que tanto preocupava meu coração materno,


Ah... coração de uma mãe que... acredita no poder do pensamento positivo, que acredita nas "mãos invísiveis" que nos amparam, mas que teima em bater mais forte?
Faz um "tum-tum-tum" que uma amiga amada me fala... acho lindo essa batida.

Sinceramente... nem fui além para saber se ia ou não dar certo.
Depois é que vi que havia uma continuação.

As cartas eram bem descritivas e até dois pormenores, desculpem-me o "desvario", que esse computador não sabia!!!

"Tirei o meu chapéu", " Dei a mão à palmatória", como dizem os ditados... perdi feio.

Enfim... o conselho final nem vi ... nem quis saber e nem quero , foi talvez um "ato falho" - não ter lido até o fim.
O que li bastou-me.

Eu sei que o final destas histórias sairão bem , pois acredito que só passamos o que devemos passar e que se estivermos firmes, e com a alma serena...
o que vier virá de qualquer jeito.

Só que nos encontrará bem ou mal, dependendo do quanto sou firme na minha fé...no Universo, em Deus , nos Mestres que nos acompanham nas horas mais difíceis e ...
fé em mim, na minha capacidade de olhar de frente os obstáculos,
saber enfrentá-los ou contorná-los se não for o momento certo da minha ação...
ou VENCER!
E se der errado... partir para outra empreitada, nunca desistindo da luta.
Sempre há novos caminhos e novas portas se abrem...
é só ter olhos para ver, coração para sentir e coragem para recomeçar!
Nada vence uma pessoa que escolhe o Amor como companheiro!

Tarot virtual...você me venceu! A taróloga que a fez não estava a brincar.
Ah... depois eu conto se o final que meus meninos escreverão foi o melhor e se os fizeram feliz,
pois o que o tarot previu...
eu não sei!
Estou a acreditar numa energia que une pensamentos nesta blogosfera, neste mundo virtual... são ondas... vibração...energia e luz .
Mistérios...
É... São Tomé... ver para crer?
É... ver para crer!

sábado, 4 de julho de 2009

Ser feliz ou ter razão?


Ser feliz ou ter razão

"Oito da noite numa avenida movimentada.
O casal já está atrasado para jantar na casa de alguns amigos.
O endereço é novo, assim como o caminho, que ela conferiu no mapa antes de sair.
Ele dirige o carro.
Ela orienta e pede que vire na próxima rua à esquerda.
Ele tem certeza que é à direita.
Discutem. Percebendo que além de atrasados, poderão ficar mal - humorados, ela deixa que ele decida.
Ele vira à direita e percenbe que estava errado.
Ainda com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado enquanto faz o retorno.
Ela sorri e diz que não há problemas em chegar alguns minutos mais tarde.
Mas ele ainda quer saber:
- Se você tinha tanta certeza de que eu estava tomando o caminho errado, deveria insistir um pouco mais!
E ela diz:
- Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz!
Estávamos a beira de uma briga, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite."

Conta-se que esta pequena história foi relatada durante uma palestra sobre a simplicidade no mundo do trabalho. A cena foi usada para ilustrar quanta energia gastamos apenas para demonstrar que temos razão, "independente de tê-la ou não"!
Desde que ouvi esta história, tenho me perguntado com mais frequência:
Quero ser feliz ou ter razão?


A imagem que usei é do filme "O Senhor dos Anéis, dos belos personagens Aragon e Arwen, ela foi além da razão, entregou o seu poder de imortalidade para viver um grande amor ao lado de seu herói.
Um amor tão lindo, que certamente não se passou no trânsito de uma cidade... mas as lendas estão sempre mescladas no nosso cotidiano.

Merece o objeto de nosso amor, a nossa doação?
Um grande amor vale a pena, sim!
E a nossa paz é uma conquista diária e vale ouro!

E tantas vezes o nosso silêncio leva o nosso parceiro(a) a refletir mais... o aprendizado das lições.
Nós nos mostramos, em certas querelas, mais pelos atos do que pelas palavras...
sendo exemplos de paz e concórdia.

E, na realidade, nunca numa discussão só um sai ferido.


E já não nos basta errarmos o caminho,

as voltas que temos que dar na vida , os retornos que fazemos
sem que haja nem sequer sido nossa a decisão... somos levados pelos desmandos dos outros.

Muitas vezes quando estou em um engarrafamento no trânsito...
agradeço a Deus em oração!
Tantos são os assaltos, os agora chamados "arrastões".
E num piscar de olhos vemos que nada aconteceu ...
logo após o caminho estava livre e voltamos em paz, ilesos e felizes.

Nestes momentos nos damos conta de que um simples minuto de paciência...
vale muitas vezes a nossa VIDA!!!!


Fica sempre a questão:
É preciso mesmo sempre brigar quando se tem razão?
Pense nisso e seja feliz!!!
"Somos donos de nossos atos, mas não somos donos de nossos sentimentos.
Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos.
Podemos prometer atos, não podemos prometer sentimentos.
Atos são pássaros engaiolados
Sentimentos são pássaros em vôo."

( Mario Quintana)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Mestre da Paciência


O MESTRE DA PACIÊNCIA

"Conta a lenda que um velho sábio, tido como mestre da paciência, era capaz de derrotar qualquer adversário.
Certa tarde, um homem conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu com a intenção de desafiar o mestre . O velho aceitou o desafio e o homem começou a insultá-lo. Chegou a jogar algumas pedras e cuspiu em sua direção e gritou todos os tipos de insultos.
Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.
No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o homem se deu por vencido e retirou-se.


Impressionadas. as pessoas perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade.

O mestre perguntou:


- Se alguém chega até você com um presente e você não o aceitar, a quem pertence o presente?
- A quem tentou entregá-lo. - respondeu um dos discípulos.
- O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos.
Quando não os aceito, continuam pertencendo a quem os carregava consigo.


A sua paz depende exclusivamente de você.
As pessoas não podem lhe tirar a calma... a não ser que você permita."
(autor desconhecido)


Lembrei-me deste conto ao pensar na pergunta de um amigo querido. E aqui decidi postá-lo.
Como conviver com a incompreensão dos outros.


Na lenda há uma provocação simbólica... é uma metáfora.
Entretanto faz parte da nossas realidade:
no cotidiano, no nosso trabalho , quantas vezes estamos procurando
seguir os passos do mestre da paciência,
sabemos com o uso da razão o como agir,
mas somos atropelados pela dúvida - como resistir?
Como ser este "mestre" quando não nos querem ouvir
nem seguir nossos exemplos.


Já não vivemos em tempos antigos onde o lutar, revidar os golpes e ofensas era o real e honroso ofício do Guerreiro.

Hoje, já nos encontramos num estágio de evolução
onde nosso sentimento e nossas experiências
nos mostram o quanto nos envenenamos ao devolver as flechas recebidas.

Somos seres, já " despertos" , inseridos num esquema social ou profissional,
numa competição que talvez seja mais "difícil" de contornar;
já faz parte de um ideário que " ganha o esperto", "manda quem tem poder"
e "quem tem juizo..obedeça!".


E como é complicado saber-se um homem honrado e ser comandado por seres que não o são.


Ao olhar esta imagem lá no alto, senti uma "sensação triste" de que somos ,
todos nós, na grande Ampulheta da Vida "homens- grãos de areia",
numa testagem diária, minuto a minuto a atravessar portais.


E sempre correndo atrás do tempo que virá ... muito lamentando o tempo perdido.


O que fazer, quando o que vemos ao nosso entorno são injustiças sociais, dores, desamparo?
O que me liberta desta queda vertiginosa que nos impele o emocional?
Podemos mudar o mundo?
Podemos re-definir as regras do jogo?
Não, sinto eu...não podemos.

Como reencarnacionista que sou, algo me faz sentir que muitas vidas
passamos invertendo os papéis, ora sendo pobres, ora sendo ricos,
ora tendo o destino de muitos nas mãos. ora sendo vítimas dos atos dos demais seres.


Mas... até certo ponto essa"química" que em nós existe exigindo justiça é o despertar do guerreiro!
Somos Um que é o somatório de muitas vidas.


E é a nossa capacidade de ainda ficar "perplexos" que talvez nos desperte a força do guerreiro do Bem que existe em nós.
Abençoados os que não se acostumam.

Não...eu não quero mais ficar a mercê dos erros e defeitos dos outros.


A mim basta-me a luta que travo, como o guerreiro Arjuna do Baghavad Gîtâ:
ainda olhar com tristeza que os verdadeiros e maiores inimigos meus são meus próprios defeitos...

são como irmãos, estão comigo, dentro de meu peito há tanto tempo...
me é quase impossível lançar uma flecha...
contra minha vaidade, meu orgulho, minha raiva.


Pensamos que sem eles nada seremos, ou melhor, seremos fracos...

esquecendo as tantas vezes que conseguimos extirpar de nós, mágoas e vaidades - males e dores que nos sufocavam.

Hoje, somos melhores, mais gentis, quiçá mais sábios.

Sabemos a diferença entre o Bem e o Mal.
Já conseguimos optar por um dos lados:
"sentimos ", "intuimos", nosso olhar já é mais sereno ,
já encontramos a Paz e Felicidade nos pequenos e belos atos que fazemos sem que ninguém nos veja.

Não somos mais "túmulos caiados" a que o mestre Jesus se referiu,
já damos água a quem tem sede, já alimentamos a quem tem fome.


E nossa alma já sabe enxergar os caminhos a seguir.

Já encontramos a fonte suprema do entendimento maior, da sapiência que é o ... AMOR.

Este Mestre da Paciência mora em nós...
sintam:
vocês o verão saindo do seu coração- guerreiro,
sob a forma de raios de luz :

na palavra amiga, no texto edificante,no conselho sábio, num gesto de carinho,
no dar e receber, no riso pleno de alegria, nas lágrimas de amor ou tristeza,
na dor que sublimamos em prol de viver e honrar aos nossos amados, aos nossos ancestrais, aos nossos filhos...


E, principalmente...
quando honramos ao herói desconhecido mais nobre que reside em nós!

Aquele que sabe que só é nosso - aquilo que decidimos aceitar como tal.
O que é do outro ...que fique com ele!
Até o dia que ele acorde.

E quem sabe...talvez, já estejamos num estágio evolutivo maior, ascensional...
de dar a mão ao injusto, quando ele estiver se afogando...
no mar bravio que ele próprio para si mesmo criou.


Eu acredito...
E tenho fé ...
Conseguiremos...
fomos feitos para crescer...
e cresceremos!!!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

E Nasrudin ensina ... com o nada que é tudo.

O SERMÃO DE NASRUDIN

"Certo dia, os moradores do vilarejo quiseram pregar uma peça em Nasrudin. Já que era considerado uma espécie meio indefinível de homem santo, pediram-lhe para fazer um sermão na mesquita.
Ele concordou.

Chegado o tal dia, Nasrudin subiu ao púlpito e falou:


"Ó fiéis! Sabem o que vou lhes dizer?"


"Não, não sabemos", responderam em uníssono.


"Enquanto não saibam, não poderei falar nada. Gente muito ignorante, isto é o que vocês são. Assim não dá para começarmos o que quer que seja", disse o Mullá, profundamente indignado por aquele povo ignorante fazê-lo perder seu tempo.


Desceu do púlpito e foi para casa.


Um tanto vexados, seguiram em comissão para, mais uma vez, pedir a Nasrudin fazer um sermão na Sexta-feira seguinte, dia de oração.


Nasrudin começou a pregação com a mesma pergunta de antes.


Desta vez, a congregação respondeu numa única voz:


"Sim, sabemos."


"Neste caso", disse o Mullá, "não há porque prendê-los aqui por mais tempo. Podem ir embora".

E voltou para casa.


Por fim, conseguiram persuadi-lo a realizar o sermão da Sexta-feira seguinte, que começou com a mesma pergunta de antes.


"Sabem ou não sabem?"


A congregação estava preparada.


"Alguns sabem, outros não."


"Excelente", disse Nasrudin, "então, aqueles que sabem transmitam seus conhecimentos para àqueles que não sabem".


E foi para casa."


( Fonte: Livro "Histórias de Nasrudin" - edição Dervish)



E como é difícil para nós, ocidentais, entendermos estas mensagens.... educados desde pequenos a falar e muito. Inicialmente recebemos estímulos que desenvolvam nossas percepções visuais , auditivas e táteis, conduzindo a um melhor desenvolvimento intelectual; pricipalmente, nas fases da pré-infância.
Tão logo as crianças aprendem a ler e distinguir os sons. a ler... cortamos todas as atividades que as cerquem de beleza; deixam de olhar as flores mais belas, brincar livres, o lúdico em segundo plano.
Já começam a ser adestradas, preparadas para um ensino competitivo.
São reeducadas a não mais olhar para as mais importantes e mais simples coisas que trarão de volta a pureza, a sensibilidade que trouxeram na sua bagagem a estas terras chegarem.

E quanto a nós, adultos, mal alguém responde à uma pergunta nossa, mal refletimos sobre a resposta; já está na ponta da língua , outra e mais outra pergunta. e nos sentimos o quanto somos "espertos" .

Cada vez mais intento refletir sobre o que me falam. venho há muito me treinando a simplesmente - ouvir. E captar a mensagem proferida, sem a intervenção da minha idéia pré-concebida.
A palavra é do outro, não minha. Escutar é sinal de respeito.
Em tribos indigenas norte-americanos há a tradição da passagem do bastão.Todos esperam, não interrompem... a voz e vez é do portador do bastão; este passará de mão em mão.
É... bem que podíamos copiá-los neste cerimonial.

Há muito que aprender... hoje sei que é mais pelo silêncio, pela observação do que nos rodeia, das energias que captamos que chegaremos a atingir um grau maior de compreensão e evolução espiritual.


Ouvi há algum tempo de um companheiro num grupo de estudo, ao responder a dúvidas de outro
que "aquilo que estava sendo discutido não era a doutrina, pois que a doutrina diz "X" , e que tivéssemos uma "certa" condescendência, pois tudo eram conceitos de "seitas" , de pessoas que seguem o Budismo, o Hinduismo.
Infelizmente, meu pobre "eu inferior" não se conteve, toquei-lhe com a mão suavemente e perguntei bem baixinho : Budismo e Hinduismo são seitas?
Mais de três, cinco mil anos A.C ... "seitas"?


Pensar...refletir...ponderar...agir... respeitar!

Onde está a Verdade, quem é o portador da Verdade?
E se é o portador, já é um emissário... não é a Verdade.

Devemos ao perguntar, analisar o que quer saber realmente;
Interessante, muitas vezes, temos já as respostas em nós , perguntamos como infantes...
muitas vezes, só para re- alimentar o nosso ego.
Urge ir domesticando o leão que ruge ao sermos contrariados...
ao confrontarmo-nos com uma opinião contrária à nossa.


"Ó Derviche, quando aprenderei pelo silêncio a Sabedoria das Palavras, o Verbo Sagrado?
Quando e o quanto terei de penar na cegueira que eu mesma me impus?

Até quando terei que sofrer dores e desilusões?
Senão serei sempre como os "espertos tolos" da congregação de Nasrudin."

Tenho compreendido muito mais...deixando-me entregue ao nada.

Nestes momentos me invade uma felicidade e paz,
e uma compreensão do todo... pelo não dito.

"Sinto" as energias...

e é como se todo meu ser fosse conduzido para além,
fora dos limites do tempo, do espaço...
caminhando para outras dimensões!

Minha alma clama e me aconselha: escuta o não ser... sendo.

"Somos ainda crianças a querer a Resposta, esquecendo que o mais importante é a Pergunta."