Minhas Memórias

Eu.
Sou feita de todas as lembranças de todos os instantes desta vida.
Sou refeita em todas as tomadas de decisões e ações investidas.
Sou construída pelos sonhos de outrora.
Existo pela insistência em declarar-me viva.
No pensar invado a razão.
No sentir mergulho e banho-me em sentimento.
Nas dúvidas extasio-me nas redescobertas.
Nas certezas confronto-me com a complexidade.
Nas emoções reacendo-me em amores e alegrias.
Infinitamente disposta a existir.
Participar ativamente da memória
deste mundo em que escolhi escrever
e ser a minha história.
Aqui é o meu tempo agora...
- Maria Izabel Nuñez Viégas -

Amigos Caminhantes...

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Lembranças da infância que curam


Infância

Meu pai montava à cavalo, ia para o campo.
minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé.
Comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá fora meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé."

Carlos Drummond de Andrdade, in Antologia Poética


Ah... como a gente muda quando a vida passa, quando a gente cresce...
Ah... como muita gente esquece o quanto a sua vida foi boa,
o cheiro gostoso da nossa casa, as brincadeiras de criança.
,Quanta gente cheia de mágoa do passado talvez se curasse 
dos azedumes, depressões e tristezas guardadas;
se curando apenas trocando as imagens na memória.
Olhasse para trás com olhos do coração bem abertos.
Com certeza, muito desamor se transmutasse em alegria.
 Tem um tempo na vida da gente
que a saudade não dói
que a saudade cura!
Então nesse dia
assim na luz clara do dia
entenderia que a sua vida 
sempre podia 
e pode 
ser muito mais bela 
que qualquer outra história!

- Maria Izabel Viégas -

5 comentários:

Élys disse...

Linda poesia de Drumond com um lindo e perfeito complemento escrito por você.
Beijos.
Élys.

Clara Lúcia disse...

Mainha....

Fiquei pensando aqui comigo... tantas coisas ainda carrego comigo, de mágoas, de sofrimentos, que mesmo eu dizendo que tá tudo bem, que tudo isso é passado, mas não é.
Ficam cravados na nossa memória e nos impede até de seguirmos em frente,da melhor forma possível.
Vou fazer isso! Me lembrar de bons momentos, que tbm foram ótimos.

Beijos, querida!
Uma ótima semana!

Maria Izabel Viegas disse...

Elys, grande amigo

Como posso agradecer tua presença.
E como fico feliz com tua upinião sobre o qu eu escrevi.
Sim, porque Drummond é perfeito e belo, um poeta.
Eu agradeço muito a tua opinião sobre meu "escrevinhamento", tão pequenino perto do poeta.
Beijos no teu coração, gentil amigo!

Maria Izabel Viegas disse...

Clarinha,

tudo tem um tempo. Não adianta a gente dizer qu esqueceu e perdoou, se o coração dói ainda.
É assim que fazem os "túmulos caiados" a que cristo se referiu.
Fica a aparência de anjo e por dentro um fel.
Melhor ser sincero, sempre.

Mas, há um tempo que a gente tem que parar de acrregar as malas velhas carregadas de ossos.
Neste texto não falo das pessoas que ainda fazem parte de nossas vodas e que ainda teimam em nelas permanecer, insistindo em entrar no palco com a agente.
Estas devemos , dizer ou Sim Sim ou Não Não.
O que falo é de pesar o quanto de bem e de mal pesaram as lembranças e as pessoas do passado.
Pois é belo para nossa alma o momento de abençoarmos coisas boas que fizeram conosnco na infância.
Adversidades acontecem, mas lá no fundo, pesando bem, elas nos fizeram mais fortes, nos fizeram ser o que somos hoje.
Tem a hora de reverenciar nossos ancestrais, que é sagrada.
beijos, minha querida, no seu coração.
Obrigada.

Astrid Annabelle disse...

Boa tarde minha amadamiga Maria Izabel.
Vim ler suas memórias e adorei o poema e a escrita...e... mais...adorei lembrar que já não carrego as malas pesadas.
Já compreendi a mim e aos outros. Já compreendi que foi aprendizado e que tudo estava certo na hora certa e no dia certo.
Hoje lembro com doçura aquilo que me fez chorar e fazer bico.
Amo a todos realmente...amo a vida e amo saber que tudo passa.
Um beijo gostoso.
Astrid Annabelle