Consigo estar só numa multidão.
Consigo estar acompanhada quando sozinha.
Gosto da Solidão.
Não gosto da Solidão.
Talvez exista este Dual em mim porque nunca estou sozinha, porque eu tenho opções de escolha.
É fato que existem pessoas que sofrem muito com a dor da solidão.
Nem é solidão quando chega a este ponto:
o nome é abandono;
o nome é doença;
o nome é vício;
Enfim, na verdade, penso tanto
que meu Silêncio fala pelos cotovelos.
Mas Silêncio não é Solidão.
Solidão também não é Silêncio.
Minhas Memórias
Eu.
Sou feita de todas as lembranças de todos os instantes desta vida.
Sou refeita em todas as tomadas de decisões e ações investidas.
Sou construída pelos sonhos de outrora.
Existo pela insistência em declarar-me viva.
No pensar invado a razão.
No sentir mergulho e banho-me em sentimento.
Nas dúvidas extasio-me nas redescobertas.
Nas certezas confronto-me com a complexidade.
Nas emoções reacendo-me em amores e alegrias.
Infinitamente disposta a existir.
Participar ativamente da memória
deste mundo em que escolhi escrever
e ser a minha história.
Aqui é o meu tempo agora...
- Maria Izabel Nuñez Viégas -
Sou feita de todas as lembranças de todos os instantes desta vida.
Sou refeita em todas as tomadas de decisões e ações investidas.
Sou construída pelos sonhos de outrora.
Existo pela insistência em declarar-me viva.
No pensar invado a razão.
No sentir mergulho e banho-me em sentimento.
Nas dúvidas extasio-me nas redescobertas.
Nas certezas confronto-me com a complexidade.
Nas emoções reacendo-me em amores e alegrias.
Infinitamente disposta a existir.
Participar ativamente da memória
deste mundo em que escolhi escrever
e ser a minha história.
Aqui é o meu tempo agora...
- Maria Izabel Nuñez Viégas -
Amigos Caminhantes...
domingo, 22 de novembro de 2020
Quando eu tiver setenta anos
"Quando eu tiver setenta anos
então vai acabar esta adolescência
vou largar da vida louca
e terminar minha livre docência
vou fazer o que meu pai quer
começar a vida com passo perfeito
vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito
então ver tudo em sã consciência
quando acabar esta adolescência."
Paulo Leminski
Trago em mim alegria de estar aqui encarnada
Descobri-me, com surpresa, já adulta, que não era ariana(sol no signo de Áries).
Fiz meu primeiro e único( pago em dólares na época) aos 41 anos numa fase em que cuidava de minha mãe em estado terminal. Nestes tempos fazia eu uma especialização, escrevia minha monografia e me dividia entre uma mesa repleta de livros, família, filhos, trabalho na obra social e nos cuidados com minha mãe.
Foi um período bem difícil, uma ano indo à casa dela levando remédios, fazendo sua higiene e limpezas brutas na casa,(e que limpezas!) Fazendo comida bem gostosa para ela e para sua cadelinha. E sofrendo a dor de não conseguir trazê-la de volta. Maria tinha só 78 anos. Ela morava longe.
Quem tem uma Lua em Escorpião vai entender que relação existia. vai entender o que falo.
Quando ela estava ficando pior tive que trazê-la para minha casa.
Ela não queria. sabem o porquê? Dona Maria tinha um namorado e sabia que estaria longe.
Nem mais se locomovia e ainda queria namorar. Eu neste momento já havia aprendido o sentido do perdão.
Maria era uma criança, minha filha. Eu entendi que o carma ali era meu e não dela.
Era ingênua nas doidices que fazia.
Eu nascera com mais compreensão... ela fazia e esquecia.
Eu tinha, desde pequena, de tomar conta dela. Vezes doía, era um misto de amor e ódio.
Sim, ódio, amigos de " espiritualidade lindinha" - ódio é quando olhamos para os ceus e perguntamos: Por que eu?
Descobri-me, com surpresa, já adulta, que não era ariana(sol no signo de Áries).
Fiz meu primeiro e único( pago em dólares na época) aos 41 anos numa fase em que cuidava de minha mãe em estado terminal. Nestes tempos fazia eu uma especialização, escrevia minha monografia e me dividia entre uma mesa repleta de livros, família, filhos, trabalho na obra social e nos cuidados com minha mãe.
Foi um período bem difícil, uma ano indo à casa dela levando remédios, fazendo sua higiene e limpezas brutas na casa,(e que limpezas!) Fazendo comida bem gostosa para ela e para sua cadelinha. E sofrendo a dor de não conseguir trazê-la de volta. Maria tinha só 78 anos. Ela morava longe.
Quem tem uma Lua em Escorpião vai entender que relação existia. vai entender o que falo.
Quando ela estava ficando pior tive que trazê-la para minha casa.
Ela não queria. sabem o porquê? Dona Maria tinha um namorado e sabia que estaria longe.
Nem mais se locomovia e ainda queria namorar. Eu neste momento já havia aprendido o sentido do perdão.
Maria era uma criança, minha filha. Eu entendi que o carma ali era meu e não dela.
Era ingênua nas doidices que fazia.
Eu nascera com mais compreensão... ela fazia e esquecia.
Eu tinha, desde pequena, de tomar conta dela. Vezes doía, era um misto de amor e ódio.
Sim, ódio, amigos de " espiritualidade lindinha" - ódio é quando olhamos para os ceus e perguntamos: Por que eu?
para terminar...
Por que foi embora?
" A Canção dos seus olhos"
"Ai você foi embora
Era hora de ir
Depois, quem sabe, que tristeza haveria?
Ai, foi bom separar os meus olhos dos seus
Do meu olhar, o poder do seu olhar
Ai, não faz mal a distância
Ai, não faz mal a saudade
Hoje, é melhor eu saber que você não sofreu
Se eu sofri, não faz mal
Ai, nasceu no sofrimento
Na esperança e no amor
Nasceu de mim a canção dos seus olhos
Ai, não faz mal a distância
Ai, não faz mal a saudade
Hoje, é melhor eu saber que você não sofreu
Se eu sofri, não faz mal
Ai, nasceu no sofrimento
Na esperança e no amor
Nasceu de mim a canção dos seus olhos."
_ Canção antiiga, não sei o autor.
Ah, se eu soubesse que eu ia amar-te tanto, tanto.
E que na realidade
Nunca seria parte de mim.
Lembro-me do dia primeiro
em que te vi.
Olhos do mar,
azuis como o céu.
E eu, que sonhei
Que seria por todo o sempre
Esquecida que o amor era meu.
Nunca saberia, era tão ingênua,
Que irias a toda hora
Embora para bem longe do meu coração.
Olhos azuis da cor do céu.
Que inocente pensar.
E quem disse que o céu é azul.
Só é azul para os poetas
E para quem acredita nas mentiras
que persegue as ilusões .
Ele reflete a luz do sol.
Somente.
E nos ilude.
Assim como tu,
que mudas de cor ,
como o mar,
azul, verde, cinza
muda com o tempo,
que vai e volta,
que pensa que sabe
mas que nunca
soube um dia
o que era
me amar.
Ah, e eu te amei
E amo tanto.
Vai, se és feliz
que importa.
Quem sabe um dia,
nesta ou noutra vida
sintas a importância
de sermos unos
no amor
e quem sabe,
eu já esteja tão longe
que este azul
nunca mais
conseguirá
me encontrar.
Sim, é melhor a distância.
Não, não faz mal a saudade.
Hoje, é melhor eu saber
que você não sofreu
Se eu sofri,
não faz mal.
Era o destino.
Não o meu,
o teu,
"Ai você foi embora
Era hora de ir
Depois, quem sabe, que tristeza haveria?
Ai, foi bom separar os meus olhos dos seus
Do meu olhar, o poder do seu olhar
Ai, não faz mal a distância
Ai, não faz mal a saudade
Hoje, é melhor eu saber que você não sofreu
Se eu sofri, não faz mal
Ai, nasceu no sofrimento
Na esperança e no amor
Nasceu de mim a canção dos seus olhos
Ai, não faz mal a distância
Ai, não faz mal a saudade
Hoje, é melhor eu saber que você não sofreu
Se eu sofri, não faz mal
Ai, nasceu no sofrimento
Na esperança e no amor
Nasceu de mim a canção dos seus olhos."
_ Canção antiiga, não sei o autor.
Ah, se eu soubesse que eu ia amar-te tanto, tanto.
E que na realidade
Nunca seria parte de mim.
Lembro-me do dia primeiro
em que te vi.
Olhos do mar,
azuis como o céu.
E eu, que sonhei
Que seria por todo o sempre
Esquecida que o amor era meu.
Nunca saberia, era tão ingênua,
Que irias a toda hora
Embora para bem longe do meu coração.
Olhos azuis da cor do céu.
Que inocente pensar.
E quem disse que o céu é azul.
Só é azul para os poetas
E para quem acredita nas mentiras
que persegue as ilusões .
Ele reflete a luz do sol.
Somente.
E nos ilude.
Assim como tu,
que mudas de cor ,
como o mar,
azul, verde, cinza
muda com o tempo,
que vai e volta,
que pensa que sabe
mas que nunca
soube um dia
o que era
me amar.
Ah, e eu te amei
E amo tanto.
Vai, se és feliz
que importa.
Quem sabe um dia,
nesta ou noutra vida
sintas a importância
de sermos unos
no amor
e quem sabe,
eu já esteja tão longe
que este azul
nunca mais
conseguirá
me encontrar.
Sim, é melhor a distância.
Não, não faz mal a saudade.
Hoje, é melhor eu saber
que você não sofreu
Se eu sofri,
não faz mal.
Era o destino.
Não o meu,
o teu,
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
Refletindo sobre o sacrifício
Refletindo Sobre o Sacríficio
"Quem luta pelos seus sonhos
trabalha mais que os outros,
se envolve com os detalhes menores,
sofre decepções,
não consegue dormir algumas noites
e, muitas vezes, fica tenso e assustado.
Os outros dizem:
"coitado, olha só o sacrifício que fulano está fazendo!"
E vão para o trabalho, cumprem por obrigação as oito horas diárias,
ficam esperando o final de Semana, e despencam num domingo
cujo principal terror é a segunda-feira.
Entretanto, aquele que dedicou seu trabalho à uma causa maior
sabe o que quer dizer
"sacrifício": a fusão de "sacro" e "ofício",
ou seja, o Trabalho Sagrado.
Então, apesar de todas as dificuldades,o que faz tem um sentido.
Sua Vida não se resume a esperar um final de semana que passa logo.
Quem dedica seu trabalho à uma Causa Maior
tem a eternidade
para deliciar-se com seus sonhos."
Autor: Paulo Coelho
Imagem:
"Homens Trabalhando", desenho de Leonardo da Vinci (1509)
Coração , tu me enganaste.
Meu coração
Não sei porque
Bate feliz
Quando te vê...
Coração leviano
Qual dos dois
O meu ou o teu
se enganou,
nos enganou?
Como um peito cheio de amor consegue se sufocar assim?
Qual a razão de esconder do meu
O quanto sofrias?
Sempre estivemos tão juntinhos.
Um a bailar num dois passos ritmados
Assim, rostos e peitos colados cadenciados
A bater num mesmo ritmo
Que foi que te aconteceu?
Qual dor doeu mais forte?
Foi o meu que saiu do cúmplice passo?
Fui eu que te fiz cansar-te?
Oh minha vida
Quisera eu trocar-me pelo teu.
Quisera que nada te doesse
Quisera que nunca sofresse
Eu te amo tanto.
'E os meus olhos ficam sorrindo
E pela vida vão te seguindo'
Quando te vejo assim assim
Comigo aqui ainda a bailar
Tenho sentido no meu peito
dois corações batendo.
Empresta-me tua dor.
Eu a guardo e carrego
'Por onde for...
Quero ser seu par'.
Não sei porque
Bate feliz
Quando te vê...
Coração leviano
Qual dos dois
O meu ou o teu
se enganou,
nos enganou?
Como um peito cheio de amor consegue se sufocar assim?
Qual a razão de esconder do meu
O quanto sofrias?
Sempre estivemos tão juntinhos.
Um a bailar num dois passos ritmados
Assim, rostos e peitos colados cadenciados
A bater num mesmo ritmo
Que foi que te aconteceu?
Qual dor doeu mais forte?
Foi o meu que saiu do cúmplice passo?
Fui eu que te fiz cansar-te?
Oh minha vida
Quisera eu trocar-me pelo teu.
Quisera que nada te doesse
Quisera que nunca sofresse
Eu te amo tanto.
'E os meus olhos ficam sorrindo
E pela vida vão te seguindo'
Quando te vejo assim assim
Comigo aqui ainda a bailar
Tenho sentido no meu peito
dois corações batendo.
Empresta-me tua dor.
Eu a guardo e carrego
'Por onde for...
Quero ser seu par'.
domingo, 27 de dezembro de 2015
Vida às nossas florestas!
Para todo aquele
que como eu,
ama a natureza,
do grão de areia ao infinito pó das estrelas!
Li, certa vez, a história de uma tradição indígena,
conto para vocês:
Quando os índios precisavam cortar uma árvore,
faziam uma celebração, um ritual.
Escolhiam uma, 'apenas uma'.
Todos dançavam em torno dessa determinada árvore.
E começavam com paus a bater no seu tronco.
E depois, rapidamente, corriam e se dirigiam à outra e a cortavam.
O porquê?
Pois que eles sabiam que a árvore que eles rodeavam
ficava assustada, aflita
tomada medo da morte que se anunciava.
A pobre árvore escolhida permanecia ali,
alerta e acordada,
num estado de crise, tensa, apavorada.
Enquanto as outras, no entorno, com o susto e medo,
desmaiavam, desfaleciam de tão tensas.
Logo, eles não feriam a que a alma sofria.
Eles cortavam uma que estivesse anestesiada,
não sofresse tanto.
E, aos pés da árvore abatida faziam um canto pedindo perdão!
Será que um dia, nós só abateremos apenas uma,
aquela que se faz necessária, pelos motivos de subsistência?
Que pena, triste evolução do ser humano,
lá no bem longe,
nós perdemos esse contato
com a alma do mundo!
Maria Izabel Viégas
domingo, 20 de dezembro de 2015
Amor sem horas marcadas
"Amor, meu grande amor, não chegue na hora marcada
Assim como as canções, como as paixões e as palavras
Me veja nos seus olhos, na minha cara lavada
Me venha sem saber se sou fogo ou se sou água
Amor, meu grande amor, que chega assim bem de repente..."
(Compositor: Angela Ro Ro)
Toda a forma de amor
Vale a pena
Todo carinho
Vale a pena
Amar é estar juntos
Sem se medir
Qualquer tempo
Ou em qual hora.
É beijar sempre o primeiro beijo.
Carinhos e carícias
Sem horas marcadas
E, se permitido for
Que seja para sempre
Tudo ou Tudo
O Nada não resistirá
À doçura do nosso primeiro olhar.
Maria Izabel Viegas
Assim como as canções, como as paixões e as palavras
Me veja nos seus olhos, na minha cara lavada
Me venha sem saber se sou fogo ou se sou água
Amor, meu grande amor, que chega assim bem de repente..."
(Compositor: Angela Ro Ro)
Toda a forma de amor
Vale a pena
Todo carinho
Vale a pena
Amar é estar juntos
Sem se medir
Qualquer tempo
Ou em qual hora.
É beijar sempre o primeiro beijo.
Carinhos e carícias
Sem horas marcadas
E, se permitido for
Que seja para sempre
Tudo ou Tudo
O Nada não resistirá
À doçura do nosso primeiro olhar.
Maria Izabel Viegas
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Essa tristeza é minha.
"A dor do mundo é grande?
Talvez seja.
Como não há metro para ela, não sabemos.
Mas, ainda que seja grande, curar-se-á aumentando-a com a nossa?"
Fernando Pessoa
Aprecia-me falar do amor.
Se a injustiça se propaga e avilta, solto minha voz aos ventos.
O sorriso, este faz-me bem dá-lo a quem passa por mim.
Pois o sorriso franco é a forma de conversar com o próximo num silêncio.
É repartir alegria, delicadezas.
Fecho-me, entretanto, na minha tristeza.
Essa é toda minha.
Tristeza assim como a infelicidade contagiam.
Aviltam aquele inocente que por nós passa
E que nada tem a ver com nossas mazelas.
Tenho em mim a dimensão da imensidão da dor do mundo
Por exemplo, numa gargalhada feroz e em gritos de embriagada alegria.
Não gosto de aqui falar de mim.
Pois estou triste.
E posso estragar seu dia.
São momentos em que preciso da solidão.
Já o disse: a dor e solidão são minhas.
É como se olhasse o mar.
O mar não me alegra.
Não o amo.
Dá-me tédio.
Pois que meu corpo é todo água.
O mar domina e é distante.
Sempre misterioso.
Vem e bate em minha pele, machuca meu corpo.
A maresia , desde criança, me traz náuseas.
Engana-se quem pensa que piscianos
Adoram o mar.
Alguns como eu, quero -o por perto
Mas que não me toque.
Prefiro o rio, que segue bravio ou calmo
Mas vai enfrentando tudo por onde passa.
E sempre chega a seu destino.
Mesmo que seja seu fim
Morrer no mar.
É sua sina.
Sabe que esta morte não é para sempre.
O sol virá e o transformará em água etérea.
Volitará. Viajará neblina.
E renascerá , pura e fresca em outro novo mundo.
Sobre essa agonia, me calo.
Embora meu desejo ardente
É que você , ao ler-me, esteja imerso em alegrias.
Que assim o seja!
Maria Izabel Viégas
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Para além do entendimento
"Não se preocupe em entender.
Viver ultrapassa todo entendimento."
- Clarice Lispector -
Não se preocupe em se explicar,
quem lhe ama o compreende.
Quem ama sabe que ser sincero
é o caminho para a libertação.
Que eu nunca faça
Ode à Perfeição
se ainda não sei
nem caminhar
com olhos fechados
no próprio solo
em que nasci.
Que sim,
eu celebre
a imensa alegria
de ter a suprema
oportunidade de viver
e tentar,
tentar
e tentar
ser melhor
do que eu mesma sou.
Serei merecedora
e responsável
pelo amor mais puro.
Meu amor - próprio.
Dignidade de ser.
Maria Izabel Viégas
domingo, 29 de novembro de 2015
Nasceu na hora errada e morreu só para aborrecer
Importa
Incomoda
O peixe
Morto
Na lama?
Estava no lugar errado na hora errada.
Importa
Se o peixe
Vale menos
Que a criança
que morre de fome
Por falta do pai morto na lama?
Quem mandou nascer
O pai, a criança e o peixe?
Estavam no lugar errado na hora errada.
Importa
O senador de lama
Que ajuda
O bode
Expiatório
De lama
Que rouba
O metal maldito
Por motivos humanitários.
senadores,
magistrados,
políticos
presidentes,
deputados,
vereadores
Com lama na alma
Todos no lugar certo na hora correta.
E para onde vai o metal maldito?
Importa?
Todos reunidos na França colorida.
Chefes de estado
Donos da lama.
E juntos vão decidir em
Acordos sanguessugas
Que a lama podre
Do podre e pobre
Estava e estará
Sempre
No lugar certo na hora correta.
É assim
Que foi
Desde o
Princípio.
E assim
Será para sempre.
É a lei
Do barro criado
e à lama voltará.
Para sempre
Por todos os tempos.
Maldito
Pobre peixe podre
Podre homem pobre.
Têm que aprender a lição!
E comer as migalhas nas mãos
Ou enterrado no chão.
Quem mandou estar sempre
No lugar errado na hora errada.
Só presta esse homem podre
Vivo
Nas eleições!
Pois é cego
Igualmente oportunista
Tem memória curta
E como o peixe
Só vale como refeição.
Malditos os homens que nascem para dar trabalho aos poderosos chefes da nação!
Malditos os peixes que ousam nadar em águas doces e claras!
Malditos os bodes que ousam fazer delação!
Malditos os que roubam e são descobertos.
Dão trabalho
Aborrecem.
Criminosos
Ousados
Enlameados
Alta periculosidade.
Maria Izabel Viégas
Incomoda
O peixe
Morto
Na lama?
Estava no lugar errado na hora errada.
Importa
Se o peixe
Vale menos
Que a criança
que morre de fome
Por falta do pai morto na lama?
Quem mandou nascer
O pai, a criança e o peixe?
Estavam no lugar errado na hora errada.
Importa
O senador de lama
Que ajuda
O bode
Expiatório
De lama
Que rouba
O metal maldito
Por motivos humanitários.
senadores,
magistrados,
políticos
presidentes,
deputados,
vereadores
Com lama na alma
Todos no lugar certo na hora correta.
E para onde vai o metal maldito?
Importa?
Todos reunidos na França colorida.
Chefes de estado
Donos da lama.
E juntos vão decidir em
Acordos sanguessugas
Que a lama podre
Do podre e pobre
Estava e estará
Sempre
No lugar certo na hora correta.
É assim
Que foi
Desde o
Princípio.
E assim
Será para sempre.
É a lei
Do barro criado
e à lama voltará.
Para sempre
Por todos os tempos.
Maldito
Pobre peixe podre
Podre homem pobre.
Têm que aprender a lição!
E comer as migalhas nas mãos
Ou enterrado no chão.
Quem mandou estar sempre
No lugar errado na hora errada.
Só presta esse homem podre
Vivo
Nas eleições!
Pois é cego
Igualmente oportunista
Tem memória curta
E como o peixe
Só vale como refeição.
Malditos os homens que nascem para dar trabalho aos poderosos chefes da nação!
Malditos os peixes que ousam nadar em águas doces e claras!
Malditos os bodes que ousam fazer delação!
Malditos os que roubam e são descobertos.
Dão trabalho
Aborrecem.
Criminosos
Ousados
Enlameados
Alta periculosidade.
Maria Izabel Viégas
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Sentes saudades da menina?
um cheiro falso
a brisa traz
um brilho antigo
brinca comigo
de anos atrás"
- Paulo Leminski -
um cheiro
um brilho
a brisa traz comigo
não há saudade
lembrança aquela
esperança de talvez
ser o hoje melhor
realidade transformada
em mais de sonho
mais que há
de ser
alguém sou eu
que bom
que eu vim
te ver menina
sente saudades de mim?
não precisas
estás sim
aqui
envolta em papéis e sedas
verdes rosas e azuis
no coração
esperança ainda
no que há de vir
juntas estaremos
o céu aberto
em mar de sol
nascente poente
Viajantes
pelas estradas desta vida
fomos
somos
seremos
uma izabel
marias
muitas marias
cheiro não falso
verdadeiro
por inteiro
brisa no ar
cheiro de luar
colorido
esperança
no amanhã.
e eu,
hoje - cabelos brancos
ainda te vejo
menina,
como se fosse
a rosa que
guardo em minh'alma
declaro:
como te amo,
menina que cresceu
acalentada em mim!
Maria Izabel Viégas
domingo, 22 de novembro de 2015
Quantos amanhãs ainda terei?
"Afinal,
em meio da vida sempre se faz a inexistente conta:
temos mais ontens
ou mais amanhãs?"
Mia Couto
Bem...
Pelo que contabilizo
Tenho mais ontens.
Vida Contada
Dia a dia
Vida Cantada
A cada amanhecer.
Primaverei
Outonei
A neve nunca a senti.
(penso que a neve pesa)
Invernando estou...
Num inverno primaveril
Prenhe de sonhos no porvir.
Num hoje
Que...
Se repete
Se repete
e
Se repetirá
Até quando?
Até quando
Preciso eu for ficar por aqui.
Nada sei desses 'quanto'
Entendo mais dos 'como'
Vou seguindo
A sonhar
A caminhar.
Num dia não estarei mais aqui.
Estarei do lado de lá.
E continuarei
A viver no plano espiritual
Numa nova
Vida Contada
Vida Cantada.
Em outros amanheceres.
Sob este sol ou em outras estrelas.
Só espero que esta minha vida
me conceda o passaporte
para nunca deixar de cantar
Aqui ou acolá.
Maria Izabel Viégas
sábado, 21 de novembro de 2015
O barro na mão do artista e na do sórdido
"O barro
toma a forma
que você quiser
Você nem sabe
estar fazendo apenas
o que o barro quer"
Paulo Leminski
O barro do artista te comanda, extasia, cria!
E a lama em Mariana?
O barro do sórdido
é a lama
da opressão
da opressão
se acumula
rende cifras
enriquece
poderosos
poderosos
suja
maldita
rouba sonhos
mata a vida
te consome
fica impune.
ATÉ QUANDO?
Maria Izabel Viégas
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
A natureza reacende-me em esperança
e só de ouvir o vento passar,
vale a pena ter nascido."
Fernando Pessoa
Quando vejo a vida
renascendo de uma pedra bruta
renascendo de uma pedra bruta
Passo a ter mais fé nessa humanidade
Tão desumana,
afastada da essência
mais profunda
de ser gente.
Tanto sofrimento
na face desta nossa Terra.
O Mundo esqueceu da História do Mundo.
Tão desumana,
afastada da essência
mais profunda
de ser gente.
Tanto sofrimento
na face desta nossa Terra.
O Mundo esqueceu da História do Mundo.
Na natureza,
vezes tão aviltada,
Vejo do nada
Nascer o improvável.
O desconhecido ressurge
Como se viesse
De outro tempo.
De outro espaço
paralelo.
paralelo.
Pode ser que aconteça
O mesmo conosco,
Humanos.
O mesmo conosco,
Humanos.
De quando em quando
Sumimos
E voltamos
Melhores.
Mais generosos.
Quem sabe?
Quem sabe?
Nestes tempos de caos e incertezas que vivenciamos
Tranquilizo, assim pensando,
o meu aflito coração.
o meu aflito coração.
Volto a acreditar que, um dia, tudo poderá dar certo.
Maria Izabel Viégas
terça-feira, 17 de novembro de 2015
Somos fortes como as flores?
Voltando, trazendo na mala a riqueza de Drummond...
Apaixonada pela poesia - vida
que me remete
à profunda
alegria de viver!
que me remete
à profunda
alegria de viver!
Áporo
Um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape.
Que fazer, exausto,
em país bloqueado,
enlace de noite
raiz e minério?
Eis que o labirinto
(oh razão, mistério)
presto se desata:
em verde, sozinha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-se.
Carlos Drummond de Andrade,
in Antologia Poética
E quantos de nós escavamos, perfurando o duro solo úmido e escuro das nossas aflições diárias, sem escape?
De cada mergulho no mais profundo de nossa tristeza, estamos tão sozinhos, duvidamos até:
- Quem somos?!
Do grito mais calado, preso , retido no meio do peito:
é a mulher que chora a falta de um amplexo amante, amigo
é o homem que também sofre por ali cavar sem esperança, solamente solo.
Da lágrima farta que de tão triste secou todo o oceano pela perda de seu filho,
de seu ente querido que viajou de volta para o infinito.
De cada labirinto escuro em que nos encontremos...
prepara-se,
não desanima,
cava
mesmo sem nada entender,
não é preciso,
cava,
segue teu destino,
a vida segue
nada é eterno na dor.
Estende-te
Entende-te
em esperança
É chegado o tempo de eclodir-se em flor.
Não mais a dor do nada ser
do não saber quem és!
Sois agora,
milagre e mistério,
o cerne da radiante e merecida alegria.
Estás a transformar-te,
verde orquídea,
micro, porém, única em esplendor.
Em breve, resplandecente em amor,
explodindo em pólen,
espalhando em mil flores!
Terás construído o teu jardim.
Nele habitam todos os seres amados que tanto sonhaste em ter.
Serás flores deste jardim.
Feliz!
Maria Izabel Viégas
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
Mensagem aos meus amigos
Amigos queridos,
Estamos vivendo uma transição entre Eras.
Certamente aqueles que disseram que já entramos na Era de Aquário se enganaram.
Ainda estamos entre o final de Peixes e Aquário por vir.
É notória a confusão reinante.
Nosso país, todo o planeta está imerso numa crise.
Há falanges do mal a intentar minar a energia dos bons.
Os homens maus recebendo toda a conivência do Mal.
Devemos ser firmes na resistência.
Buscar forças na prece.
Muitos aqui estão a adoecer.
E de que adianta?
Urge equilibremos nossas energias para não darmos entrada
a doenças em nosso perispírito, somatizando - as no corpo físico.
O mundo precisa de nós!
Buscar força nos ideais e valores que acumulamos durante nossa vida.
Aqueles que já foram tocados pela energias benfazejas nunca serão vencidos.
Observemos a atitude dos "destruidores de nossos sonhos":
são fortes no luxo e na riqueza indevida, usurpada.
Mas são pobres, miseravelmente infelizes.
Nós somos felizes.
Nós, a cada dia, nos renovamos.
Apesar de toda a lama que, literalmente hoje, mancha mais uma vez a nossa História,
nada nos sujará a alma.
Nosso pensamento é livre.
Reafirmemos nossa indignação_ sempre.
Mas sem machucar nosso corpo com sofreres em demasia.
Todos estamos recebendo impactos desse conflito entre Bem e Mal.
Não deixemos que nos privem do nosso direito adquirido
de pertencer à Egrégora do Bem e da Esperança.
Somos Mais!
Afinal, a vida sempre nos ensinou a lutar a boa luta.
Nossa força vem do Coração.
A força do Amor!
Meu carinho,
Maria Izabel Viégas
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
5 de novembro de 2009
Dedicado à amiga Maria Izabel Viegas - quadratura de Plutão ao Sol

Este tema foi proposto pela terapeuta e astróloga Maria Izabel Viegas, autora dos blogues «Memórias de Vidas Passadas», «Viajantes na Linha do Tempo» e «Despertar de Memórias», a quem dedico o artigo, como gratidão pelo muito que aprendo com ela, nos seus blogues.
O tema deste texto trata das possibilidades do trânsito de Plutão em quadratura ao Sol natal.
Antes de continuar, quero deixar claro que este trânsito não afecta a todos por igual. Varia consoante a idade da pessoa, a experiência de vida, nível cultural aprendido e desenvolvido, meio social a que pertence e, sobretudo, a forma filosófica e espiritual como encara a vida. Sem quietude interna, sem processos de aceitação pessoal perante as questões do dia-a-dia, não se passa «da melhor maneira» por este trânsito. Ficando isto claro, passemos à natureza do trânsito.
A natureza primária deste trânsito chama-se «conflito». A situação mais comum deste trânsito na vida das pessoas é a possibilidade de experimentar o conflito com outra pessoa ou uma situação em concreto, abertamente desafiador.
Se o trânsito destes planetas fosse uma conjunção, a natureza básica seria uma «erupção interior que não se consegue conter»; se fosse uma oposição trataria de um «ataque demolidor» do campo oposto. Aqui, na quadratura, estaremos sempre a falar de «conflitos».

Vou
ter que dar uma pequena explicação sobre o posicionamento de Plutão nos
signos, para dar maior compreensão aos leitores menos familiarizados
com as contas astrológicas.
A forma do conflito que se apresentar à pessoa depende das casas e dos signos onde estão situados os planetas. Portanto, com inúmeras variáveis. São 12 casas onde poderão estar o Sol e Plutão. No que a signos se refere, o Sol pode estar num dos 12, mas Plutão só poderá estar entre os signos Câncer e Sagitário, pois como é um planeta muito lento e com uma enorme órbita em redor do Sol (cerca de 250 anos), nesta nossa reencarnação colectiva (a população maioritária do planeta), só conhecemos os efeitos directos deste planeta em poucos de signos.
Se soubermos que Plutão ingressou pela última vez em Câncer em 1912, percebemos imediatamente que as pessoas vivas com Plutão nos primeiros graus neste signo, hoje são bastante idosas. Terão aprendido o suficiente para não entrarem em grandes conflitos. Entrou no signo seguinte, Leão, em Outubro de 1937. Em Virgem, em Outubro de 1956. Em Libra/Balança, em Outubro de 1971. Em Escorpião, em Novembro de 1983. Em Sagitário, em Janeiro de 1995 (são muito jovens actualmente). Eu passei por esta quadratura quando tinha 18 anos e pela oposição aos 56. Não foi fácil.
A forma do conflito que se apresentar à pessoa depende das casas e dos signos onde estão situados os planetas. Portanto, com inúmeras variáveis. São 12 casas onde poderão estar o Sol e Plutão. No que a signos se refere, o Sol pode estar num dos 12, mas Plutão só poderá estar entre os signos Câncer e Sagitário, pois como é um planeta muito lento e com uma enorme órbita em redor do Sol (cerca de 250 anos), nesta nossa reencarnação colectiva (a população maioritária do planeta), só conhecemos os efeitos directos deste planeta em poucos de signos.
Se soubermos que Plutão ingressou pela última vez em Câncer em 1912, percebemos imediatamente que as pessoas vivas com Plutão nos primeiros graus neste signo, hoje são bastante idosas. Terão aprendido o suficiente para não entrarem em grandes conflitos. Entrou no signo seguinte, Leão, em Outubro de 1937. Em Virgem, em Outubro de 1956. Em Libra/Balança, em Outubro de 1971. Em Escorpião, em Novembro de 1983. Em Sagitário, em Janeiro de 1995 (são muito jovens actualmente). Eu passei por esta quadratura quando tinha 18 anos e pela oposição aos 56. Não foi fácil.

Voltemos, definitivamente, ao «conflito».
Este ambiente pode ser provocado por algo absolutamente insignificante,
que só as partes envolvidas valorizam, como pode ter uma base com
questões poderosas. Nesta situação, neste trânsito, o conflito pode ser
muito atraente para a pessoa, mas também temos que considerar a
possibilidade de ser um assunto repulsivo, desagradável, provocando
sérios transtornos. A atracção e repulsão podem ocorrer ao mesmo tempo.
Muito plutónico, portanto.
Se a situação for esta – atracção e repulsão simultâneas -, é garantido que a pessoa sente que não quer fugir ao desafio que se apresenta. Irá embrenhar-se em pleno no conflito, neste combate, esgotando-a. Por uma razão simples: porque aceitar a possibilidade de se afastar do conflito, significa abandonar algo que é muito apreciado. Portanto, a pessoa deve preparar-se para esta situação, sobretudo no início do trânsito.
A pessoa pode preferir encarar este conflito como uma batalha contra o outro ou uma determinada situação. Porém, não costuma ser a escolha mais sábia, nem a mais conveniente. Apesar de ser doloroso, recomendo que a escolha entre seguir o conflito ou ignorá-lo, seja o deixar que o interno faça a sua escolha, evitando dar espaço ao ego. Ir atrás do conflito é o caminho certo para a ocorrência de estragos. Ser firme é uma coisa. Ser teimoso e orgulhoso é outra.
Falemos um pouco de Plutão neste trânsito. Com Plutão as regras são simples: pegar ou largar, aceitar ou resistir. Este trânsito ao Sol trata de aprendermos a soltar algo e aceitar essa situação, com a maior serenidade possível. Não é fácil. Mas o ser humano, habitualmente, não quer fazer nenhuma das coisas.
Esta situação é mais enfática neste trânsito ao Sol porque a nossa luminária representa o conjunto de identificações dirigidas ao ego. São poucas as pessoas (entre os biliões que habitam o planeta Terra) que tenham transcendido a representação do Sol, enquanto ego, evoluindo para a representação do Ser, sem ego. Por isso é que reencarnamos: para aprendermos e tentarmos esta transcendência.
Como consequência do nosso ego em ebulição, este trânsito de Plutão em quadratura ao Sol é sempre um troço duro de roer para o nosso sentido de continuidade pessoal. Não é fantasioso supor que esta quadratura representa de algum modo, uma certa «morte»; assim, vamos aprendendo a aquietar-nos, a sossegarmos, a não vivermos em excitação constante. Recordam-se de mais acima ter dito que este trânsito varia consoante as condições de cada pessoa? Este trânsito aos 'trintas', é muito diferente se ocorrer aos 'cinquentas' ou 'sessentas'. Percebem o que digo? A vida ensina-nos.
Chegou o momento de deixarmos de parte o lado mais arisco e destrutivo do trânsito e observarmos o outro lado, pois Plutão trabalha em dois tempos: destruição e regeneração.
Esta regeneração chegará na segunda metade do trânsito, que pode durar dois anos ou mais. Veremos surgir em nós mesmos uma forma de identidade nova, mais enraizada na própria vida. Um enraizamento mais profundo, mais fértil, mais saboroso. A olharmos para trás, constataremos que fizemos uma enorme caminhada. Que foi um caminho pejado de alguns perigos, que fomos aplanando, aprendendo a valorizar-nos. E assim, ‘la nave va’…
Se a quadratura for «crescente» suporá um compromisso mais profundo com as nossas forças vitais, afastamento do que é ambíguo, fixando metas mais razoáveis. Se a quadratura for «minguante» passaremos a ter uma perspectiva mais realista e mais profunda da vida, ficando mais aptos à adaptação, sem utopias.
É a aprendizagem da subida ao patamar da sabedoria.
Passem bem. Muito obrigado.
Se a situação for esta – atracção e repulsão simultâneas -, é garantido que a pessoa sente que não quer fugir ao desafio que se apresenta. Irá embrenhar-se em pleno no conflito, neste combate, esgotando-a. Por uma razão simples: porque aceitar a possibilidade de se afastar do conflito, significa abandonar algo que é muito apreciado. Portanto, a pessoa deve preparar-se para esta situação, sobretudo no início do trânsito.
A pessoa pode preferir encarar este conflito como uma batalha contra o outro ou uma determinada situação. Porém, não costuma ser a escolha mais sábia, nem a mais conveniente. Apesar de ser doloroso, recomendo que a escolha entre seguir o conflito ou ignorá-lo, seja o deixar que o interno faça a sua escolha, evitando dar espaço ao ego. Ir atrás do conflito é o caminho certo para a ocorrência de estragos. Ser firme é uma coisa. Ser teimoso e orgulhoso é outra.
Falemos um pouco de Plutão neste trânsito. Com Plutão as regras são simples: pegar ou largar, aceitar ou resistir. Este trânsito ao Sol trata de aprendermos a soltar algo e aceitar essa situação, com a maior serenidade possível. Não é fácil. Mas o ser humano, habitualmente, não quer fazer nenhuma das coisas.
Esta situação é mais enfática neste trânsito ao Sol porque a nossa luminária representa o conjunto de identificações dirigidas ao ego. São poucas as pessoas (entre os biliões que habitam o planeta Terra) que tenham transcendido a representação do Sol, enquanto ego, evoluindo para a representação do Ser, sem ego. Por isso é que reencarnamos: para aprendermos e tentarmos esta transcendência.
Como consequência do nosso ego em ebulição, este trânsito de Plutão em quadratura ao Sol é sempre um troço duro de roer para o nosso sentido de continuidade pessoal. Não é fantasioso supor que esta quadratura representa de algum modo, uma certa «morte»; assim, vamos aprendendo a aquietar-nos, a sossegarmos, a não vivermos em excitação constante. Recordam-se de mais acima ter dito que este trânsito varia consoante as condições de cada pessoa? Este trânsito aos 'trintas', é muito diferente se ocorrer aos 'cinquentas' ou 'sessentas'. Percebem o que digo? A vida ensina-nos.
Chegou o momento de deixarmos de parte o lado mais arisco e destrutivo do trânsito e observarmos o outro lado, pois Plutão trabalha em dois tempos: destruição e regeneração.
Esta regeneração chegará na segunda metade do trânsito, que pode durar dois anos ou mais. Veremos surgir em nós mesmos uma forma de identidade nova, mais enraizada na própria vida. Um enraizamento mais profundo, mais fértil, mais saboroso. A olharmos para trás, constataremos que fizemos uma enorme caminhada. Que foi um caminho pejado de alguns perigos, que fomos aplanando, aprendendo a valorizar-nos. E assim, ‘la nave va’…
Se a quadratura for «crescente» suporá um compromisso mais profundo com as nossas forças vitais, afastamento do que é ambíguo, fixando metas mais razoáveis. Se a quadratura for «minguante» passaremos a ter uma perspectiva mais realista e mais profunda da vida, ficando mais aptos à adaptação, sem utopias.
É a aprendizagem da subida ao patamar da sabedoria.
Passem bem. Muito obrigado.
Senhor dos meus devaneios
"Senhor dos meus devaneios"
Andei terras de mil reinos em vão...
por alguém que por tanto tempo sentia que perdi.
Vivi à procura de ti em tantos rostos.
E de tanto sofrer e chorar já nem me lembro... da tua face me esqueci.
Caminho, caminho... seguindo sempre passo a passo, vida a vida, a te buscar.
Mas, ó Senhor dos meus Devaneios, de tanto que te busquei,
já nem me recordo se exististes mesmo ou se foi sonho.
E sonho é sonho, ou será uma sombra da vida?
Queria tanto te buscar, que neste afã nem percebia
que estavas aqui comigo.
As vidas foram passando
e eu te encontrei, ó amado Senhor, em tantos rostos desconhecidos...
e nestes rostos encontrei a cada dia a alegria de fitar mil olhares,
senti mãos unidas às minhas num aconchego amigo
e o som de vozes que me diziam:
Eu sou...Eu sou...quem tu procuras!
Percebo num despertar que nunca tivestes forma,
não eras homem, nem mulher, eras saudade.
Sim, Senhor dos meus devaneios, procurei em vão...
eras um "ser- não - ser".
Eras muito mais que nada,
eras muito mais que tudo, eras o Todo.
Eu procurava a saudade, e portanto nunca te encontrei nas mil faces.
Pois que a saudade fica sempre no ontem... no ontem.
É passado,,, é recordar
e o recordar foi quem te criou,
ó Senhor dos meus Devaneios,
me prendeu no mundo que se foi...
e que no hoje se desfez.
Ó Senhor dos meus Devaneios,
já passei por tantas formas,
fui sombra, luz... fui terra, água, ar e fogo.
Fiz parte da natureza, mudei de estações,
fui calor, chuva, neve e vento.
Fui semente, folha, flor e fruto
e renasci tantas vezes...
fui libélula, fui lobo do deserto.
Mas, ainda sou saudade, mas não sou ontem.
Sou a esperança do amanhã!
Broto da flor de cerejeira, jasmim de cheiro,
sou rosa e tenho espinhos.
espinhos que doem mas que não machucam,
pois sei... hoje tenho certeza,
ó Meu Senhor dos Devaneios...
eras minha própria alma à procura de mim mesma.
Precisei trocar de tantas vestes,
despir-me de todos meus eus.
Hoje me vejo através de todos os rostos dos seres
que se acercaram e se acercam de mim.
Eu me vejo em cada ser...
pois já é chegado o tempo de ser mais que eu,
mais do que ser saudade,
nem mais viver em busca
de um Senhor que já se foi...
era Devaneio!
É chegado o tempo de encontrar as mil almas
que em mim habitam
e de juntar-me aos outros rostos - irmãos
já não sonhos e sim, realidade
e passar a ser Vida - Esperança - Hoje - Amanhã
Ser todo o sempre...
o Mundo, o Cosmos, o Sagrado, a luz, a Fé, o sublime Amor Fraterno.
Já não quero mais te buscar, Senhor Devaneio - triste saudade.
Quero dar as mãos e seguir rumo ás estrelas, de onde viemos
pois é chegado o tempo de Voltar...ao Tempo.
No Tempo Eterno...que é Infinito,
renascidos em Luz para a Verdadeira Vida.
Voltar à Unidade , ao Um, à Soma.
Que venham comigo, rostos amados!
Preciso de tuas mãos comigo.
Sigamos juntos o Chamado!
*Publicado por mim em 24 de março de 2010.
O despertar da mulher selvagem
"Todas nós temos anseio pelo que é selvagem.
Existem poucos antídotos aceitos pela nossa cultura para esse desejo ardente.
Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração.
Deixamos o cabelo crescer e o usamos para esconder nossos sentimentos.
No entanto, o espectro da Mulher Selvagem
ainda nos espreita de dia e de noite.
Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós
tem definitivamente quatro patas."
Clarissa Pinkola Estés,
in prefácio
do livro Mulheres que Correm Com Os Lobos
Nasci nesta encarnação com a honra de ser mulher.
Essa Alma manifesta na forma feminina.
( Creio que existam homens que também nasceram com essas fortes lembranças da alma feminina e que a cada dia se ajustam e modificam a cultura vigente, abrindo novos caminhos. Abençoados sejam!)
Desde criança atraída pela mulher selvagem.
Contida pela educação que nos restringe
de libertar esse sentimento forte de seguir instintos,
Cheia de ideias, impulsos e recordações de todas as vivências de outras vidas.
Pequenina e tímida seguia todas as ordens da família.
Nada que fosse aviltante.
Dentro da cultura da época havia espaço para aprendizados com pais fortes, generosos.
Muita paixão a observar.
Controle, sim , muito.
Nada que matasse a loba criança ainda.
Quem nasce com uma Lua em Escorpião nunca poderá dizer que a infância foi apenas calmarias.
Mas quem quer calmarias?
Calmarias não içam as velas dos nossos veleiros.
E crescer em sentimentos e aventuras é velejar por mares e oceanos de emoções.
Amor envolvente paterno, materno e fraterno.
Amor sufocante pois julgavam-me mais preciosa do que eu era.
Lembro-me bem que adorava ficar à espreita de minha mãe a queimar em fogueira as folhas secas do quintal. Havia o cuidado até exagerado para que eu não chegasse muito perto. Proteção para que nada de mal me acontecesse.
Mas, a loba menina sabia esperar a hora das cinzas.
E inventava a brincadeira de pular através da fumaça.
Ouviu ( ou inventou?) alguém a dizer que quem pulasse na fumaça viraria bruxa.
E menina queria ser , de novo, uma bruxa.
Uma bruxa bem bonita, mas bruxa.
Bruxas tinham mais poder que as fadas.
Que eram tontas, meio fúteis e não desfaziam feitiços.
Era a loba a se manifestar.
Na verdade, esse animal que estava preso ao meu corpo ,
impregnando de liberdade a minha aura,
pulou num salto magnífico
no dia em que nasceu
meu primeiro filho.
Transcendental libertação!
Experiência extra-sensorial.
Transmutação.
Morte e Vida.
Iluminação.
Hoje adormeço ouvindo sua voz.
Acordo e nem sei bem quem anda comigo.
Se a loba se levanta
Ou sou eu que corro,
animal a ouvir os segredos
dos pássaros do dia,
deixando pegadas
por onde passo.
Maria Izabel Viégas
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